Por Sabrina Leão
Para melhores respostas
terapêuticas, Silva et al (2004) enfatizam a importância da avaliação corporal
dos pacientes com alterações miofuncionais orais. Segundo as autoras,
alterações orais não respondem tão bem ao tratamento quando as alterações
posturais não são também trabalhadas, isso porque a postura corporal global tem
grande influência sobre a posição da cabeça, sendo que, esta influência sobre a
postura da mandíbula e da língua. Em alguns casos também pode ocorrer o
inverso: alterações miofuncionais ocasionando alterações posturais.
A postura, o tônus e a mobilidade de lábios, língua e bochechas influencia diretamente na qualidade das funções de fala, mastigação, deglutição e respiração.
Silva et al (2004), em sua
pesquisa sobre a correlação entre postura corporal e mastigação, constataram
que em 60% da população da amostra, alterações no padrão mastigatório estavam
associados a alteração de cadeia anterior. As autoras afirmam ainda que os
músculos mastigatórios, em conjunto com os músculos supra e infra-hióideos, são
os responsáveis pelo equilíbrio das forças existentes neste eixo. A harmonia
entre sua musculatura (eixo anterior e posterior) determina a eficiência da
mastigação.
A posição da cabeça também interfere nas funções orais devido à conformação anatômica em cadeia dos elementos ósteo-musculares da região orofacial. Sendo assim, segundo a pesquisa citada anteriormente 66,7% dos sujeitos avaliados tinham desvio de cabeça relacionado com alterações na mastigação.
A posição osteostática é
mantida através de músculos cervicais posteriores bem desenvolvidos, para
manter o peso da cabeça contra a gravidade. Os principais desses músculos são o
esternocleidomastóideo e os elevadores da escápula. Músculos menores como os
infra e supra-hióideos, contrabalançam com os grandes músculos posteriores.
Alterações de postura corporal
decorrentes de hiperfuncionalidade modificam a relação anatômica normal entre a
cabeça, o pescoço e a cintura escapular, podendo também causar dor, disfunções
craniomandibulares e alterações nos padrões mastigatório e deglutitório.
Um exemplo de alteração postural e de deglutição é uma situação em que a hiperfuncionalidade bilateral do músculo esternocleidomastóideo (principal flexor da cabeça) resulta em uma anteposição da cabeça. Essa posição anteriorizada da cabeça, altera as relações biomecânicas crâniocervicais e crâniomandibulares, comprometendo a posição de repouso da mandíbula, os contatos oclusais e determinando aumento da musculatura hióidea.
Outro exemplo importante é a escoliose, que pode ter relação com a mordida cruzada posterior e com desvios laterais de mandíbula. Nesse caso, o crânio tende a deslocar-se para o lado da má oclusão, prejudicando a mastigação (unilateral e uso do plano vertical como características de maior incidência).
Alterações respiratórias como a respiração oral, podem comprometer a qualidade das funções orais, principalmente a mastigação, pois, há um bloqueio no desenvolvimento craniofacial harmônico. O portador de respiração oral apresenta uma mudança de postura da cabeça em relação ao eixo corporal.
A substituição do padrão respiratório nasal pelo oral ocasiona mudanças posturais que resultam em distúrbios musculoesqueléticos e dentários.
O funcionamento das estruturas orais moles (lábios, língua e bochechas) é afetado pelos desvios posturais, alterando o funcionamento normal das funções de mastigar, deglutir, respirar e falar.
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